A tarde abriu as cores do dia
que avisto
preso no quarto d'hospital
as frestas da janela desenham
um quadro vivo e o ar filtra-se devagar
árvores mancham de verde o caminho.
aves dispersas nas sombras
cantam ao desafio
filas de carros hora de ponta
além um hotel ou apenas
outro centro comercial
o céu azul e nuvens suspensas
correm livres até ao horizonte
o limite a esquina do pátio e outra enfermaria
à volta de mim o branco silêncio da roupa
o cinza das paredes não cobre os
gritos e risos das histórias
da dor e má memória
e constrói o cenário que me rodeia
e me perturba o sono
rasgado pelos aviões que rasam alturas
e um esgar roçando desconforto
lembra o meu corpo
cansado
deitado na cama
com um buraco no peito
onde era antes uma seara de trigo
João Maria Nabais
tela Fernand Toussaint
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