03/11/2012

AS AQUARELAS



Não penso azul, nem verde, nem vermelho, 
nenhuma cor vejo isoladamente: 

quero a vida total, como um espelho 
a que não falte flor, folha ou semente. 

A natureza, neste abril redondo, 
esconde formas, seres, linhas, cores, 
aqui e ali bizarramente pondo 
manchas involuntárias, multicores. 

Recuso-me a adotar bandeira ou marca. 
Nada escolho. O mistério natural 
me envolve inteiro. Em tuas aquarelas 

tudo renasce — como quem da barca 
do dilúvio, depois do temporal, 
visse de novo a terra das janelas... 


Odylo Costa Filho
In Boca da Noite

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