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10/01/2012

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A morte não sobrevivi assim tão nitidamente delimitada,
observa, atenta, os que adoecem sem morrer.
Não queiras a morte enferma - todo o nascimento é novo
na doce corporeidade de nossos ossos.

Falas da sombra? Da alma, da tua alma? - ela é o arco
que não compadece com a deformidade, silencioso fruto,
tronco esguio,ágil, mas só, curva de um jardim no regresso
a casa, a tua casa, de uma opacidade celeste.

Quem está só guarda um segredo - vivo segredo no fluxo
das imagens captadas pelo espírito de um primeiro encontro
sem infâmia. A voz, tua voz, repousa na debilidade
de uma outra voz - rígidas na distância, incolores, as palavras
inquietam-se e apaziguam-se na concentração da sombra,
leve sombra, erguida contra a putrefacção circundante.

Todo o que consola cumpre o destino de uma morte sã - o resto
é fragmento, questão de sintaxe,melodia fácil. O violoncelo
celebra demasiado alto nosso tempo de ruínas entoando uma
primitiva melodia. E só tu sustentas a palavra iluminação.

Ana Marques Gastão
In A definição da Noite
tela Matteo Arfanotti
      

***



Escreve, se puderes, pois meu corpo oscila, veloz, no
círculo do vento
escreve antes que o sol sangre em mim.
Escreve, se puderes, hoje ainda, assim o grão de teu corpo
o permita.
escreve antes que a nostagia desça sobre nós.
Escreve,se puderes, contra a morte, até se perderem tuas
ávidas mãos
escreve antes que em meu colo caiam mutiladas.

Ana Marques Gastão
In A Definição da Noite
tela Matteo Arfanotti 
  

***



Quando o negro tormento quiser desmembrar
o universo, enterra o frágil corpo no cansaço
e aguarda na noite a resposta. Astuta natureza
a do afeto desocupado em teu rosto, encerra-me
em ti para que o céu desfrute de uma casa humana.

Ana Marques Gastão
tela Matteo Arfanotti Regina

22/12/2011

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Pudesse eu tocar
teus cansados ossos
quando o mar
se encrespa.

Pudesse eu escrever
com as mãos
o olhar que lê
teu poema feito.

Pudesse eu ser visão
ou melancólica música
noite subterrânea
ou fulgurante desejo
para que entrasses
veloz em minha tristeza
como um espírito cansado
à procura do mundo.

Ana Marques Gastão
In A Definição da Noite
foto se.shira

30/01/2010


by John Roddam Spencer Stanhope

Ver-nos-emos um dia
náufragos ou cegos
como animais da sombra.
Está escrito,
Na latitude total
da manhã
na aurora trazida pela noite.
Ver-nos-emos na palavra
de instantânea luz
gerada
no resíduo vivo
do amor.
Ver-nos-emos
tu no meu corpo
eu no teu
para celebrarmos
o regresso
da súbita ápetência
de vida
que um dia
um anjo nos ofereceu.

Ana Marques Gastão
In A Definiçâo da Noite

20/04/2009


Foto de LiefPhotos.com

O mundo - tênue
círculo; e deus
sopro entre
mais um dia
e a noite escura.

Ana Marques Gastão
In A Definição da Noite

Foto de LiefPhotos

Canto de morte,
anjos negros somos.
Esquece o que te atormenta
em breve sorrirás
com as tuas lágrimas.

Ana Marques Gastão
In Definição da Noite

por LiefPhotos.com

Gloriosa solidão
a de quem
escuta o silêncio
sem se despedaçar
na ausência de uma voz.

Ana Marques Gastão
In A definição da noite

05/04/2009


Foto de tadelloeser

Escreve, se puderes, pois meu corpo oscila, veloz, no
círculo do vento
escreve antes que o sol sangre de mim.
Escreve, se puderes, hoje ainda, assim o grão de teu corpo
o permita
escreve antes que a nostalgia desça sobre nós.
Escreve, se puderes, contra a morte, até se perderem tuas
ávidas mãos
escreve antes que em meu colo caiam mutiladas.

Ana Marques Gastão
In Definição da Noite

Foto de tadelloeser

Quando o negro tormento quiser desmembrar
o universo, enterra o frágil corpo no cansaço
e aguarda na noite a resposta.Astuta natureza
a do feto desocultado em teu rosto, encerra-me
em ti para que o céu desfrute de uma casa humana.

Ana Marques Gastão
In Definição da Noite

Foto de tadelloeser

Como um corpo morto
caio em teus braços
e na sua obscura transparência
lembro a ave solitária
sobre um fundo de inviolável luz.

Ana Marques Gastão
In A Definição da Noite

Foto de tadelloeser

Não escutes a voz
que te chama.
A água é imóvel,sabes?
Extingue-se a história
e assim como se escapa o céu
dura apenas o que ignoro.
Sou fim sem princípio
e ainda princípio
de um inferno que arrefece.
E no canto mais denso
das palavras
nesse ténue espaço
de inflamado amor
e luar corrompido
sou noite que precede
o rosto da criança.

Ana Marques Gastão
In A Definição da Noite

02/04/2009


Foto de William Dalton

Pudesse eu tocar
teus cansados ossos
quando o mar
se encrespa.

Pudesse eu escrever
com as mãos
o olhar que lê
teu poema feito.

Pudesse eu ser visão
ou melancólica música
noite subterrânea
ou fulgurante desejo
para que entrasses
veloz em minha tristeza
como um espírito cansado
à procura do mundo.

Ana Marques Gastão
In A Definição da Noite

Foto de AmUnivers

Como dizer o teu nome
se teu nome é sombra
e nem te oiço
no Outono final.

Como dizer o teu nome
se nem nos sonhos te encontro
estrela em fuga
num reino crepuscular.

Como dizer o teu nome
se esta é uma terra morta
sem mães vivas
nem espaço para mim.

Como dizer o teu nome
neste vale vazio
último lugar do encontro.

Ana Marques Gastão
In A Definição da Noite

20/12/2008


Foto de JustABigGeek

Vens de noite no sonho
sem pés
entre páginas
de gasta paciência
quando a música findou
e teu sorriso se desfez
como um grão de pólen.

Vens no veneno oculto
de meus dias
no silêncio
dos meus ossos
devagar
arrastando em queda
o nosso mundo.

Vens no espectro
da angústia
na escrita
inquieta
destes versos
no luto maternal
que me devolve a ti.

A escuridão desce então
sobre o meu corpo
quando o rosto da morte
adormece na almofada.

Ana Marques Gastão
In Nocturnos