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06/01/2012

POEMAS DO ANJO I e II


I

Em rosa pura e lírio
o anjo está presente
quisera em rosa pura
ou lírio transforma-me.

Por mais que sempre o cante
o anjo não me atende
ouve talvez porém
a voz do anjo é silêncio.

Por que sempre buscá-lo
se o anjo tocado
perde as asas e chora?
O anjo não tem sombra
o anjo nunca é visto
apenas pressentido.

II

Suaves rumos de passos em viagem
vens como o vento acalentando folhas
Adormecendo a rosa à tua passagem.

Donde esta paz o sonho a sombra?
Apenas leves dedos sobre os olhos
somente a mão do anjo sobre o ombro.

Mário Faustino
tela George Hilliard Swinstead, 

01/11/2008


by Camille Jacob Pissarro

O MUNDO QUE VENCI DEU-ME UM AMOR...

O mundo que venci deu-me um amor
Um troféu perigoso, este cavalo
Carregado de infantes couraçados.
O mundo que venci deu-me um amor
Alado galopando em céus irados,
Por cima de qualquer muro de credo.
Por cima de qualquer fosso de sexo.
O mundo que venci deu-me um amor
Amor feito de insulto e pranto e riso,
Amor que força as portas dos infernos,
Amor que galga o cume ao paraíso.
Amor que dorme e treme. Que desperta
E torna contra mim, e me devora
E me rumina em cantos de vitória...

Mário Faustino
In Poesia completa

28/10/2008


by Vincent van Gogh

O SOM DESTA PAIXÃO ESGOTA A SEIVA

O som desta paixão esgota a seiva
Que ferve ao pé do torso; abole o gesto
De amor que suscitava torre e gruta,
Espada e chaga à luz do olhar blasfemo;
O som desta paixão expulsa a cor
Dos lábios da alegria e corta o passo
Ao gamo da aventura que fugia;
O som desta paixão desmente o verbo
Mais santo e mais preciso e enxuga a lágrima
Ao rosto suicida, anula o riso;
O som desta paixão detém o sol,
O som desta paixão apaga a lua.
O som desta paixão acende o fogo
Eterno que roubei, que te ilumina
A face zombeteira e me arruína.

Mário Faustino

by Vincent van Gogh

SONETO

Necessito de um ser, um ser humano
Que me envolva de ser
Contra o não ser universal, arcano
Impossível de ler

À luz da lua que ressarce o dano
Cruel de adormecer
A sós, à noite, ao pé do desumano
Desejo de morrer.

Necessito de um ser, de seu abraço
Escuro e palpitante
Necessito de um ser dormente e lasso

Contra meu ser arfante:
Necessito de um ser sendo ao meu lado
Um ser profundo e aberto, um ser amado.

Mário Faustino
Fonte Arte Livre