Mostrando postagens com marcador Ernani Rosas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ernani Rosas. Mostrar todas as postagens
07/06/2014
30/12/2012
ENQUANTO OS MAIS MEDITAM!
Deito o olhar dentre as trevas e vejo a noite
desdobrar o seu manto constelado;
e a linha do horizonte enevoado
desdobrar-se p'la Dor de rude açoite...
O vento e o mar dramáticos investem
contra as fráguas: é a vida, a fúria humana!...
e fecham o grande círculo de insana
luta dos elementos, com que vestem
A órbita do mundo sem poesia,
que decresce p'lo Tédio dia a dia...
e, a gente sente indômita saudade!...
De voltar ao inerte e a frágua dura,
diante da "Eterna Aurora" sem ventura
Que se resume em lama das vaidades!...
Ernani Rosas
In História do Gosto e Outros Poemas
tela Thomas Moran
07/09/2010
SONETO IMPRESSIONISTA
de Antonio Luzo
"Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões,vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos,vivos,vãs,vulcanizadas"
Cruz e Souza
Seduz,embriaga o pensamento,anula
toda memória para além da vida,
é um vinho sedutor,que me estimula!
o coração de fibra envelhecida...
Quando tudo é silêncio e a alma da Lua,
Quando tudo se exulsa e os astros descem
para melhor ouvir o que tressua
nos bordões pelo ar, que se arrefecem...
É quando já se vão... fica a lembrança
da asa fluida do Longe e o último verso
de porta em rua, p'ra desesperança...
Guardo-o comigo, no meu coração,
fica a adejar no ouvido o último terço...
guardo a saudade da última canção!
Ernani Rosas
In História do Gosto e Outros Poemas
tela de Guy Gambier
Obs...exulsa talvez um neologismo do poeta a partir de exul,
exilar,exular ....afastar-se,apartar-se.
Obs...exulsa talvez um neologismo do poeta a partir de exul,
exilar,exular ....afastar-se,apartar-se.
***
05/09/2010
OUTONO

Outono, meu Outono nebuloso,
choras por mim como gentil criança...
o teu pranto meus sonhos embalança
n'um ritmo de Saudade doloroso...
Chora teu ser pela vereda branca,
neva teu manto e as folhas caem frias,
que cruel e letal melancolia
vela a paisagem que a doçura estanca?...
Só vejo ruínas, casarios ermos!
há neve em meu caminho desolado,
a dor tem ar de míseros enfermos...
Sigo aos tombos já velho para a Lida
Sou a cigarra que viveu no prado
e não viu flores pela sua vida!
Ernani Rosas
In Veneno que não cura
tela by Vincent Van Gogh
VITRAIS
À morte das Cores
Azul é transparência, Amarelo é Sol-posto,
O Branco é quietação, o Gris é ocaso... outono...
O Lilás é um jardim de violetas, em Agosto,
Sonhando os rouxinóis, rezando-me o abandono...
O Verde é oceano ao luar, rastros de caravelas,
O Fosco é o meu torpor, etérea sombra, cisma...
O áureo é crispação de uma Tarde sem velas...
Que vão ritmando, em mágoa, a hora que se abisma.
O Rubro é Salomé, feita a rubis, no poente,
Enlaçando-lhe o corpo um Ângelus de opalas...
Ó celeste audição, colorindo o ocidente!
O último vitral as cores intercala,
Na água-morta a acender a ametista dormente,
Nos diques, em que a nau da morte fez escala...
Ernani Rosas
In Ritus da Cruz
Imagem by bookdavida1
26/09/2008

Foto de Ulysses De Salis
CANÇÃO DAS PEDRAS
Embrandecei pedras duras
À luz da Lua, no Outono,
Quando tudo é só Saudade
D'um coração ao abandono!...
Quando tudo é só doçura
E noite peninsular,
Quando ao longe, muito longe,
Choram guitarras ao mar.
E noites, onde marujos
Cantaram à luz do luar:
Saudosos da sua terra
Nas plagas além mar.
Embrandecei pedras duras!
Abri os Olhos ceguinhos ...
Com que alegria as verei.
Estrelas, na noite escura!
A luz da lua no outono,
Quando alguém canta magoado
Cantigas de Amor passado
Alta noite... ao Abandono!...
Ernani Rosas
Assinar:
Postagens (Atom)


.jpg)
