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11/09/2010

TEMPO REVIVIDO


















Revolvo como faz o tempo
o passado, neste momento
de memórias, imagens
e pensamentos!
Varre silenciosamente
o tempo imagens quebradas,
e agasalho algum pensamento!
Varre silenciosamente
o tempo, e ergo da poeira
a poesia de algum momento!
Varre silenciosamente
o tempo e tiro da matéria
ausentes lembranças
de alentos!
Varre silenciosamente
o tempo, veneradamente
como a um templo
a lembrança finda e só
e colho as ideias dormidas
e as recolho na eternidade
do espírito que impelido
pronuncia vagarosamente:
Vida...!

Luiz José Maia
In As Quatro Faces do Homem
tela by Rachel McNaughton

08/09/2010

MESSE























Buscar da vida
a essência, a refulgência plena
e fazê-la forte e saborosa
ao misturá-la ao mel do amor!
Viver todas as estações
prevendo mudanças
conotações e lembranças...!
Amar todos os momentos
mesmo aqueles em que a alegria colheu
flores roxas para sofismar tuas certezas
e eclipsar tuas ousadias...!
Compreender o sonho de Deus
e nele entreolhar-se
criando  medida ao teu clamor
e sentindo à tua dor!

Assestarás tua luta
na direção do teu caminho,
vendo paisagens telúricas
de um destino divino
na coincidência humana!
E saiba doar-se
como o vento que semeia
como a água que purifica
como o ar que ressoa!

E serenar na morte
com a esperança de vida
consciente e sábio
flácido como a luz
e definido como a rocha...!
Messe-sentido que traz
para toda a luta, o desejo definido
para todo o amor, a procura acertada
e, para ambos, o encontro da paz enriquecida!
...e quem sabe
o salvo-conduto à porta que se abre
ao sentido profundo do plasmar da vida:
de se ter conquistado os céus
e vencido o mundo...!

Luiz José Maia
In As Quatro Faces do Homem
foto de Armando Caldas

NO ACASO DO AMOR
















Meu corpo já se distancia
do teu e sofre a separação!
Em mim o desejo de ti agora
se antepõe à natureza calma e morna
que ardente era!
Meus lábios já não ditam mais
os enlevos de amor
e minhas carícias já não levam
o sangue quente da paixão!
Morre em mim lentamente
o ardor de tua quentura
e mensamente se esvai
todo o sangue de minha ventura!
E minha solidão torna-se maior
e meu canto torna-se da cotovia
num mar imenso
sem horizonte para pousar
Que desacerto! Que desencanto!
Sinto que por mais que não queira
a vida pede-me mais essa entrega,
esse pranto!
Um passo a mais para a ida derradeira!
Mas, espera, ainda vive forte um eterno pulsar
o doce encanto, o nosso fruto renascido
no sorriso terno daquela criança
na verdade querida desse amor florido!
É a presença-vida que dilata o amar
é o amor que vive para se eternizar!

Luiz José Maia
In As Quatro Faces do Homem
foto  de Armando Caldas

04/08/2010

MINUDÊNCIAS























Ser feliz
é ter o coração livre
e a consciência tranquila;
é receber a brisa
e falar de legria!
É vestir
o agasalho da saúde
a camisa do sonho
e os sapatos do amor!
É cantarolar no silêncio
brindar a paz
e então
sair de si
estender seu coração
e dizer:
estou pronto
o sofrimento é canto!

Luiz José Maia
In As Quatro Faces do Homem
Tela by Henri Matisse

SENSITIVO






















Oh! quanto preciso de ti,
de teus olhares indagativos,
de tuas perscrutações silenciosas,
de teus cismares contemplativos,
de tuas insinuações misteriosas...
Oh! se soubesses o quanto somos
para nossos corações ilhados,
dourados pomos...
se soubesses ...o quanto foi feito
para nós dois, e
que ambos, a sós, não temos buscado
ah, se soubesses
como eu o pressinto
no nosso olhar de absinto
e de luar!

Luiz José Maia
In As Quatro Faces do Homem
Imagem  by Assaf Frank

FLORESCÊNCIAS






O calor dos teus olhos
amadurece o meu coração
favorece o bem de minha alma
e eleva a minha solidão!

e o silêncio que pousa em tuas pálpebras
repousa o beijo de minha ventura!

E em ti sempre recomeço
o que jamais em nós termina:
as flores de nossas primaveras,
os frutos dos nossos outonos
e o calor na face rubra
de nossos dias
de estio e sonhos,

assim nos contemplamos
como dois mirantes voltados par si
como dois encontros a crescer caminhos
como duas almas a construir
em um só destino no mesmo coração!

Luiz José Maia
In As Quatro Faces do Homem
Imagem by Assaf frank

28/07/2010

DUETO























O perfume de tuas mãos
estão nas minhas
o sorriso dos teus olhos
estão nos meus
a leveza do teu andar
ondula a música da minha espera!

E o vestígio de teu encanto
modula a canção do meu destino!

Luiz José Maia
In As Quatro Faces do Homem
tela by John Pettie

27/07/2010

REENCONTROS




















Memórias
assoviam soluços
nos desvios calcários...

Rochedos fechados,
zunindo o vento
esculpem saudades...

Mares revoltos
deixam na areia
o sonho-naufrágio...

Tempo se conforma
na permanência do que foi
e na insistência do mistério...

Místico caminho
retoma seu trajeto
acresce ao destino
a veradade do concreto

Na novidade,
a escala
das escarpas do eu
e das fímbrias do  consolo...

O recomeçar reponta
num desejo sábio
num frêmito novo...

A solidão salva e lesta
se povoa na coragem,
recria seus segredos,
encontra sua imagem...

E pelas enseadas,
o começo se estende
pelos pavilhões da vida
e do que se amou...

Abraço-me
emociono-me
estreito à vida
e junto ao peito,
carrego o sonho...!

...e nos recriamos!

Luiz José Maia
In As Quatro Faces do Homem
Tela by Winslow Homer