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30/09/2009


Foto de Emerson Brag... no Flickr

EM SETEMBRO OUTRA VEZ

Em setembro, quando a alma rejuvenecer...
Quando reflorir a serra,
Outra vez...
E, a vida retornar,
Voltarei a te amar no amanhecer.

Quando as flores,perfumadas,
Embelezarem os desnudos galhos,
Na serra abandonados...
Voltarei a recolher, com minhas mãos,
As flores que foram tuas,
Outra vez...

Como teus beijos que recebi um dia,
Quando setembro vier,
Outra vez...

E, não te deixarei mais,
Envolverei teu corpo com tal ardor,
Que sentirás todo o meu calor.
E, sem desprezo,
E, forçando mais,
Me abaraçarás
Com todo amor...

E, serei, então, como cipó selvagem a enlaçar
A árvore de teu corpo virgem,
Num abraço longo,
Até a morte me alcançar.
E, secando-te matarei tuas flores, também,
Mais uma vez...

Como mortos e frios,
Ainda, me lembro,
Foram teus últimos beijos,
Em setembro,
Outra vez...

Lindolpho Prado
In Em Setembro...Outra Vez

by Sue Kennedy

VENDAVAL

As folhas mortas,
Pelo ar perdidas,
Arrancadas pelo vendaval,
Das formas esqueléticas de árvores sem vida,
Caem nas alamedas tristes.

São como ilusões de nossas vidas,
Que alimentamos com a seiva
De um amor grande e puro,
Retido no tronco rígido de peroba antiga.

E o vendaval de nosso outono
Chega sem aviso
E, julgando-nos jovens, cheios de vida,
Arranca de nossos corações
A alma embevecida,
Atirando ao ar em rodopios,
Espalhando pelas alamedas frias,
As últimas ilusões de nossas vidas,
Como folhas mortas perdidas.

Lindolpho Prado
In Em Setembro...Outra Vez