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03/07/2010
29/06/2010
SILÊNCIOS
Pelo pranto das auroras ,
pelo sangue das amoras;
pelos trevos dos caminhos,
pela ponta dos espinhos;
pelo leite das figueiras,
pelo limo das pedreiras;
pelo remanso do rio,
pela luz do sol do estio;
por tudo quanto é alegria,
tudo o que é melancolia;
pelo encanto do meu verso,
pelas glórias do Universo,
não quebres minha tristeza,
não quebre os silêncios meus,
que os silêncios têm beleza
e têm a graça de Deus.
Antonieta Borges Alves
In Lírios de Pedra
Tela Palm Hammock I by Stiles
21/06/2010
A RETA SOBERANA
Tenha minha alma a inclinação dos juncos,
a verticalidade dos ciprestes,
a horizontalidade das lagoas...
E geometricamente reta, sempre
enfrente os paradoxos da existência,
tensa que nem o fio de um monocórdio.
Que minha alma se incline amando a terra:
vertical, toque o céu dourado de astros;
horizontal, guarde humildade eterna.
E sinta que, inclinada ou vertical,
segue efêmeros rumos, pois somente
a horizontal penetrará nas trevas:
- No silêncio infinito dos cadáveres,
todos imergiremos nos abismos
extraordinariamente horizontais...
Antonieta Borges Alves
In Lírios de Pedra
Tela Olivia's Flowers IV by Cheovan
O SONHO DAS ROSAS
Num transporte sublime as rosas encarnadas,
esplêndidas na cor e raras nos perfumes,
no vaso de cristal adormeceram líricas.
Lá fora é claro o céu, e elas enamoradas
pressentem, a sonhar , o festival de lumes
que põem pelos vergéis mil ternuras idílicas.
- Neste mundo haverá mais beleza e harmonia?
Que pincel fixará em traços magistrais
a quietude infinita, a suprema poesia
do sonho que só dura um luar, nada mais?
Antonieta Borges Alves
In Lírios de Pedra
Tela Full Bloom by Tejada
28/05/2010
TRANSMIGRAÇÃO

Deixei a realidade pelo sonho.
Hoje meu sonho é minha felicidade.
Na realidade o fado era tristonho,
No sonho é que senti felicidade.
O mundo era pequeno, era bisonho,
Repleto de tortura e de maldade
Minhas belezas de arte já não ponho
Onde não cabe tal preciosidade.
Tenho outro mundo que é o da fantasia,
E outro clima de amor e de harmonia,
Longe, bem longe da fatalidade.
Com razões que a razão jamais teria,
Meu código na vida é a poesia,
E o sonho minha única verdade!
Antonieta Borges Alves
In Lírios de Pedra
by Claude Oscar Monet
23/05/2010
ACÁCIAS EM FLOR
- Achamos uma sombra!...Esta acácia Imperial
soberana do Vale, incrivelmente bela,
é um dilúvio de flor na manhã estival,
extraordinariamente esplêndida e amarela!
Eu sei que me é vedado em ritmos de cristal,
teus ouvidos ferir, aqui junto dela,
e fazer-te sentir num beijo tropical,
a lindeza do amor sob dourada umbela...
Mas a Acácia imperial, soberana do Vale,
do coração tangendo as cordas mais sensíveis,
produz as vibrações de límpido coral!
E eu não posso deixar que a ternura se cale
se a florada sonora anula os impossíveis,
e a esperança a sorrir é outra Acácia Imperial!...
Antonieta Borges Alves
In Lírios de Pedra
foto by Luigi FDV
CORRIDA
Quando tiveres virado pó,
eu já terei virado flor;
quando tiveres virado flor,
eu já terei virado vento:
quando tiveres virado vento,
eu já terei virado sol;
quando tiveres virado sol,
eu já terei virado amor;
- quando tiveres virado amor,
aí, amor, aí te espero
lá na vereda do sacrifício,
onde bifurcam nossos destinos...
E finalmente gritarei: PIQUE!
E depois disso, seja o que for!
Não sei se os ventos soprarão loucos,
nem sei se estrelas cairão do céu!
Só sei que, livres, dois fogos fátuos
brincarão tontos de eternidade
por sobre os fenos, por sobre os mastros,
sem nenhum deles ser PEGADOR...
Antonieta Borges Alves
In Lírios de Pedra
foto by Eddy D.
O BANQUETE SIMBÓLICO
É a hora do banquete do destino.
Eu nunca vi mais luzes,mais beleza,
nunca vi tão magnífico festival.
Retinem taças de cristal mais fino.
Há petúnias e acácias sobre a mesa...
Tudo é régio, soberbo original!
Garçon estranho, o Amor, serve-me vinho:
Mas eu sou pobre, nunca tive festas...
- Posso beber, - pergunto-lhe baixinho -
como quem bebe o orvalho das florestas?...
Antonieta Borges Alves
In Lírios de Pedra
by by Philippe Mercier
08/05/2010
CANTIGAS DE MAIO
As rosas brancas se abriram,
as neblinas já lá vêm;
as alvuras já cobriram
os verdes campos d'além.
Ai, que carinhos,
que festa rara
dos pastorzinhos
da manhã clara!
Cantam ledas raparigas
com virginal emoção!
- Maio desperta cantigas,
- Maio convida à uma oração.
É uma beleza
ser camponês,
ter a surpresa
do lindo mês!
Os anjos tocando avenas
saem todos para tanger
flocos de nuvens serenas
quando o dia vai morrer.
Sinos ecoam!
Doce alegria!
Povos entoam
Ave Maria!
Nossa Senhora então, pelas
vastas noites aurorais,
abre seu manto de estrelas
para acolher os mortais.
E o lugar prateia
as horas calmas.
- Maio na aldeia
- Maio nas almas!...
Antonieta Borges Alves
In Lírios de Pedra
Madonna and Child by Sandro Botticelli
ELEGIA DE MAIO
Se minha Mãe surgisse de repente,
com seu sorriso, seu olhar amigo
repleto da mais vivida ternura,
beijá-la-ia exageradamente;
eu que tão só por esta vida sigo,
eu que conheço quando ela foi pura!
Ela porém, não sente meu encanto,
nem mais precisa da carícia bela...
Então meu beijo se transforma em pranto
e se derrama sobre as cinzas dela!...
Antonieta Borges Alves
In Lírios de Pedra
tela Mother Combing Sara's Hair by Mary Cassatt
04/05/2010
AS PALAVRAS
As palavras são mansas e serenas.
São ovelhas submissas, que, tangidas,
descem alvas a encosta das montanhas.
Um pensamento mau é um lobo rude,
que surgindo no meio do rebanho,
perturba todo o bando de palavras.
Tangei-as com enlêvo, com ternura,
desviando-as da fera, que, à socapa
quer dispersá-las para o precipício...
Se o vosso ofício for o de poetas,
pastores de Ideal, tangei com lírios
o rebanho infinito das palavras!
Antonieta Borges Alves
In Lírios de Pedra
foto by pepebarambio
LIRA DO PÔR DO SOL
Volto na tarde sem brisa,
vou pelos túneis do tempo,
para ver se em algum atalho
encontro a manhã da infância,
cheia das rosas de maio,
cheia de andores azuis...
- Nas procissões da Esperança,
eu tinha pássaros na alma
e ramos verdes na mão...
Nossa Senhora da Glória!
ao longo das alamedas
quanta luz havia então!
Volto na tarde sem brisa...
Mas só encontro os presságios
dos nimbos que se aglomeram
da grande noite parada
no chapadão dos novembros...
-Em que atalho do passado,
em que alameda perdida
ficou a manhã da infância,
cheia de rosas de maio
cheia de andores azuis?
Antonieta Borges Alves
In Lírios de Pedra
foto by cjh44
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