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24/07/2013

VIVÊNCIAS




Nesse tempo infinito
que vai do nascer ao morrer
um dia vou falecer
deitada em pétalas perfumadas
avencas prateadas
toda coberta de rosas
Meu corpo descerá à terra
minha alma subirá
até o silêncio das estrelas
Angústias são passagens
Duvidas são como folhas
espalhadas no tempo
Inseguranças são sementes
à beira da nossa estrada.
 
Maria Lucia Nabuco
In Tempo Marginal
tela Paul de Longre

ARQUIVOS




Fui buscar a vida
nas franjas da madrugada,
no garimpo das estrelas
Abracei-a fortemente
com medo de perdê-la
Revi as fotografias
guardadas em caixas
corroídas pelo tempo
Uma menina de terço na mão
um jantar a dois
um riso no fim da tarde
O dia do casamento
a ternura da maternidade
um Natal enfeitiçado
Agora tenho medo das rugas
das marcas do tempo
Choro de saudades
 
Maria Lucia Nabuco
In Tempo Marginal
tela Catrin W. Stein

POEIRA DO TEMPO



Onde me esconderei
dos abandonos de criança
de todos os mistérios
que me cercam?
Choro por não poder comandar
os ventos, o destino,
nem mudar a face do mundo
Só queria silêncios, esquecimentos
para jogá-los no mar
Uma pausa, água de fonte pura
para aquietar a sede
de ásperos caminhos
onde a ternura se mistura
à vida de todos os dias
numa oração pungente
 
Maria Lucia Nobuco
In Tempo Marginal
tela Lesley Banks

08/05/2012

CONFIDÊNCIAS



Todos os perfumes da terra
estão expostos
sensuais, perigosos
neste começo de tarde
Teu corpo em agonia
se aperta contra o meu
buscando a vida
Sombras escondem o teu rosto
não há paixão no que dizes
todas as palavras são inúteis
Te abraço em silêncio
Ouve, chegaram as chuvas.

Maria  Lucia Nabuco
In Tempo Marginal
tela Andrius Kovelinas

SERENIDADE



Bendito  tempo de paz
que a nada me obriga
nem a grandes arroubos
nem a pequenas tristezas
Fico atenta
ao canto interminável,
intermitente,
invisível, presente
da vida em plena floração

Maria Lucia Nabuco
In Tempo Marginal
tela Felix Mas