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21/07/2010

AMO E ODEIO


























A manhã é meu espelho:
- Odeio as coisas feitas,
quero-as todas por fazer.
Odeio o que é eleito,
quero é constrangê-lo.
Odeio o preço de mercado,
quero a liberdade sem recado.
Perfeição, repetição, alienação...
Odeio o único e o todo,
amo apenas o singular
entre tantos e outros.
Quase morro de tédio
por ter criado objetos, abjetos
porque não tinham arte.

Amo ser pleno e livre,
com uma felicidade sem remédio.

Ou o dia que não se repete
 
Francisco Miguel de Moura
foto da Galeria de ichiro kishimi no Flickr

15/07/2010

O QUE É A SAUDADE




























Impossível saber o que é a saudade...
Uma palavra? A cor de uma tristeza?
Ou uma felicidade sem certeza
que em nós se instala como eternidade?

O que passou, passou, não é verdade?
Ou nos ficou do tempo a chama acesa?
Saudade, um não-sei-quê que traz leveza?
Ou apenas enganos, leviandade?

Está no corpo inteiro ou está na alma?
E se está, por que não nos traz a calma?
Por que nos mata assim, tão devagar?

Saudade, o teu passado é tão presente,
és uma dor que chega de repente
e que parece nunca vai passar.

Francisco Miguel de Moura,
tela  by Willem Haenraets

08/04/2010


foto by Tato C

MANHÃ E POEMA

Reverberações da frescura do ser,
Do direito de amar,
Da maior fração da vida bem ou mal
Vivida:
Os cegos vêem e Deus se extasia no que fez.

O poeta tira a palavra dicionária, com travo,
E vai, e apunhala o próprio peito,
Para o grito surdo de uma dor que dorme.

O poema é o silêncio e o trovão,
Quando o raio da palavra espedaça o nada.

A manhã se clareia para que a nau/tureza
Trabalhe e acenda a vida no peito de cada.

A manhã é um poema que se desvirgina
Para que a vida e o movimento se declarem
Canção.

Francisco Miguel de Moura
In franciscomigueldemoura.blogspot