Mostrando postagens com marcador A. Estebanez. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A. Estebanez. Mostrar todas as postagens
15/11/2012
07/03/2009

Buy My Roses (Restrike Etching) by Court
SUAVE É A ESPERA...
Deixa a tua alma numa rosa
e um sonho no amanhecer
para ver minha esperança
que hoje espera te rever...
Tu não precisas do tempo
quando o amor acontecer.
O amor te chega na brisa
quando o sonho alvorecer.
Deixa o coração na porta
e um arco-íris no jardim...
A esperança se comporta
como flor dentro de mim.
Que suave é toda espera
para quem quer renascer
num sonho de primavera
que renasce sem morrer...
Afonso Estebanez Stael
Poema dedicado à Johanna R.Estebanez Stael
In Do Penoso Ofício de Sonhar
27/12/2008

Foto de tanakawho
ENTRE PARÊNTESES
Minha vida não é tua
nem é minha tua vida...
Somos partes
fragmentadas
de uma ânfora
partida.
Não são tuas minhas liras
nem tuas liras são minhas...
Ocultamos
a alma nua
na paráfrase
das linhas.
Tuas mágoas não são minhas
minhas mágoas não são tuas...
Somos os lados
dessas calçadas
desencontradas
das ruas.
Por mim não te desesperas
nem por ti eu me desatino...
Somos apenas
os parênteses
de uma linha
do destino.
Afonso Estebanez

Foto de Fr.Antunes
FACE TO FACE
De todos os momentos insondáveis
mais bonitos da vida de uma mulher
– aquele em que ela toma a bandeira
sacode a poeira da breve amargura
e faz vibrar na alma as armas doces
de todo o encanto e formosura
na defesa ou conquista do amor
fundamental de sua vida...
Esse é o mais belo de todos.
Face a face, a alma de um homem
que tem as portas e janelas abertas
para o amor mais simples e fraterno,
sempre sabe quando esse momento
o encontra... E talvez o faça eterno...
Andar pelo mundo de vida pronta
e alma completa bem poderia ser,
a despeito de todas as melancolias
das prontas filosofias de plantão,
a maior e mais sábia recomendação
para os que acreditam ser possível
viver com a cabeça nas estrelas
e os pés no chão...
E não é tão complicado assim
caminhar num chão de estrelas...
Afonso Estebanez
16/11/2008

Foto de anodari
SONHO COSTUMEIRO
Eu sonho-te nas ramas das videiras
como frutos dos vinhos de venturas
em rebentos de graças costumeiras
que me lavam de brisas e ternuras.
E vejo como em sonhos de pastora
tanges de mim sentidos já remidos
e me levas em sombras protetoras
à ravina de amor dos teus abrigos.
E tenho-te nas heras dos penedos
meu pássaro cantor que a ti visita
nos jardins de secretos arvoredos
onde teu sonho de mulher habita.
E fico em ti como o destino antigo
tocado para mais além da história
onde soubeste que sonhar comigo
seria o amor deixado na memória.
Afonso Estebanez
30/10/2008

by Childe Hassam » The Rose Garden
PROCURA-SE UMA ROSA
A rosa de que preciso
é flor nativa de mim.
Eu quero a rosa precisa
princípio
meio e fim.
A rosa de que preciso,
não a rosa dos poetas...
Mas a rosa imponderável
dos loucos
e dos profetas.
A rosa de que preciso,
não das mãos dos jardineiros...
Quero a rosa padecida
das feridas
dos romeiros.
A rosa de que preciso
vem do olhar dos passarinhos.
A rosa para ser rosa
não precisa
dos espinhos.
Eu quero a rosa votiva
dos vitrais e reposteiros
entre preces conspirada
no conluio
dos mosteiros.
A rosa de que preciso
não é a rosa-dos-ventos...
Quero a rosa irresoluta
biruta
dos cata-ventos...
A rosa de que preciso
vem de abismos e desertos
como a palavra perdida
reencontrada
em meus afetos.
Às vezes mais que loucura!
Às vezes mais que razão...
A rosa de que preciso
é amor
mais que paixão...
A. Estebanez
14/10/2008

Foto de Dario Sanches
OITAVA ROSA DE DELOS
Seja-me dada uma canção amena
a flauta do cantar d’água corrente
que destila da mágoa toda a pena
que meu amor ingênito não sente.
Seja-me ouvida a cítara de alfena
arco recurvo de tua alma ausente
onde me dói essa paixão extrema
por uma rosa extrema do oriente.
Pelo amor do princípio que me fez
meus dias de rever-te sejam teus
e minhas tantas horas desditosas.
Seja-me dado ao menos uma vez
repousar no teu corpo como deus
em mortalha de pétalas de rosas.
Afonso Estebanez
(Out.13.2008)
04/10/2008

Foto de Dario Sanches
QUINTA ROSA DE DELOS
Hoje em dia ninguém diz mais: eu te amo!
porque convém que apaguem da memória
as lembranças do amor que algum engano
transformou em rascunho alguma história.
Então por quem dizer que ainda me ufano
de morrer-me de amor mesmo sem glória
se o que era sacro vem-me então profano
por quem a renascença é mais simplória?
Sempre cuidei transpor versões proibidas
contra os padrões formais das permitidas
que eu das paixões não descuidei jamais.
Mas os padrões de amor foram vencidos.
Transponho então as flores dos sentidos
e ‘te amo’ entre as roseiras dos quintais!
Afonso Estebanez
(Out.02.2008)
25/09/2008

…E o vento levou (…Gone with the wind)
PSICOFOTOGRAFIA
Há o sabor acre do pranto
o amor rústico das vinhas
e há o êxtase dos cânticos
das almas das andorinhas...
Há o amor dos namorados
o enlace das almas gêmeas
entre eflúvios perfumados
dos canteiros de alfazemas...
E amores chegam de trem
ou nos destinos das cartas
às vezes chegam do além
no murmúrio das cantatas...
E apesar dos desencantos
o ofício das bem-amadas
é de haver os reencontros
das almas desencontradas...
A. Estebanez
24/09/2008

Foto de wnywaterfallers
SINFOLIA DE BEIRA-CAMPO
A casa do beira-campo beira o rio dos Andradas
beija-flor beira o caminho no beiral das alvoradas....
Eu venho como quem mora num vão longínquo do tempo
de claras nuvens levadas pelas pastagens do vento...
Eu quero ficar aqui entre regatos perdidos
vagando em luzes e sombras como sonhos esquecidos...
Aveluz de verdes liquens no arrepio da folhagem
destes caminhos incertos de minha incerta viagem...
O vento me traz de longe a aragem de que preciso
para acompanhar as águas em seu cantar indeciso...
Viajar noturnas rotas entre estrelas repousadas
sobre as copas cintilantes dos clarões das madrugadas...
Pastor de rios sem fim entre orquídeas e açucenas
percorrendo claros vales distante de minhas penas...
Entre noite e alvorecer eu quero viver assim
como ave de bons presságios que Deus faz cantar em mim
E o rio do beira-campo beira a casa e as cercanias
beija-flor beira a alvorada no beiral das serranias...
A. Estebanez

Garden Terrace by Piet Bekaert
ONDE
Em qualquer recanto onde existam rosas
qualquer rua escura em que a noite pare
e as palavras soem quase indecorosas...
Onde mais não haja do que só o instante
onde então me mate só de encantamento
ou talvez não morra e só me desencante...
Onde haja caminhos no chão de veredas
com estradas noturnas de pedras acesas
vaga-lumes vaguem pelas noites negras..
Onde o túnel d’alma nunca mais a habite
onde haja esperança que só tenha calma
e onde haja tristeza que não seja triste...
Onde os suicidas morram, só de alegria!
Como foi Totônia, como foi meu Felipe
como foi Margarida como foi a Maria...
Onde haja certeza quando vier a sorte
que não tarde o dia quando vier a noite
nem retarde a vida quando for a morte...
A. Estebanez
18/09/2008

Foto de Dario Sanches
EKLIPSIS
No princípio era a luz
dos astros itinerantes...
E da luz se fez o amor
como fazem os amantes...
Dos arcanos da memória
meus instintos delirantes
gravitam à luz da aurora
como fazem os amantes...
Amores chegam refeitos
com a brisa dos mirantes
derramados sobre o leito
como fazem os amantes...
E sobre lençóis vermelhos
com desenhos excitantes
o amor se põe de joelhos
como fazem os amantes...
A minh’alma apaixonada
no infinito desse instante
refaz amor de emboscada
como fazem os amantes...
Que assim seja meu amor
feito eclipses penetrantes
como a luz fecunda a flor
como fazem os amantes...
A. Estebanez

Edward Hughes
SILFOS & GNOMOS
Que sentimento há na cor da ausência?
Que perfume da luz pressente a alma?
O que expressa a linguagem do silêncio
a hora do atônito crepúsculo da aurora?
Que é não emergir do nada que realiza
o ser no lago de coral de uma mulher?
Se tudo pode ser o que aprendi na vida,
desaprender amor e sonhos, como é?
Que é perder o fio da meada da memória
que ficou no lugar do futuro no presente?
O amor dos náufragos da própria história
ou gnomos de que o humano se ressente?
Somos nada entre os céus e os arvoredos
os seres que se entendem sem palavras...
Apenas silfos de rios mortos e segredos
de sonhos idos nas espumas naufragadas...
A. Estebanez

Nostalgia by Rosemary Lowndes
Esta noite
tu me permitirás ajardinar teu corpo
nos mais esconsos roseirais de amor
em bosques sublimados no conforto
de aviar espinhos sem ferir-te a flor...
Esta noite
procriarei em teus profundos ninhos
de aves marinhas de plantão no céu...
Ah, rosa ausente dos cruéis espinhos!
Vinho de rosas com sabor de mel...
Esta noite
tomar-te-ei o amor que me suaviza
a alma sem nenhum ressentimento...
Verei teu corpo com o olhar da brisa
e o tocarei só com as mãos do vento...
Mas esta noite
quero-te o gozo múltiplo e esvaído
como a última lágrima e sem dor...
Só a dor de um calvário consumido
no inexorável instante desse amor!
A. Estebanez

Foto de Nindy2008
NUMEROSO AMOR
Dedicado a Maria Madalena C. Schuck
Ah, numeroso amor de que padeço
que me conta mistérios sobre mim...
Ô, enigma! princípio sem começo
destino que termina e não tem fim...
Amor que apraz e dói! amor avesso
que assim se exaure e se refaz assim
morrendo de viver por quem mereço
na volúpia de crer que é amor afim...
Flor de lótus de deuses consagrados
nos desígnios dos bem-aventurados
de alma pronta na vida já completa.
É deusa quem me dá o dom divino
de confirmar nas cartas do destino
o carisma do amor que me liberta...
A. Estebanez
17/09/2008

DEVANEIOS DA INSÔNIA
O que faz eterno o instante
em que você ressurge da noite
coroada a face de sorrisos
é o que me diz o amanhecer
dos lírios quando já nasci
de braços abertos.
Já falei a você das folhas que caíram
e do sofrimento levado pelo outono
deixado em cada sombra de seu rosto.
Já mostrei como do fruto renovado
o renascimento da vida é infinito
como o cio das cigarras é o destino
que se cumpre no silêncio da resina.
Você consome o canto e os sonhos
e os mistérios a esmo desvendados
e deixa esse sinal de impenetrável
ausência nas minhas mãos vazias...
Mas onde houver a paz dos rios
tangidos pelos caminhos bebidos
de minha boca, eu irei beirando
as margens inventariadas no rol
dos padecimentos...
Só me resta esperar que esta noite
você volte a embalar com beijos
meu sono perdido...
A. Estebanez

by Picasso
DOM QUIXOTE
Tantas paixões meu cavaleiro errante
triste figura andante em mim venceu...
De eterno amor por sua doce amante
bem mais que eternamente padeceu...
Deu expressão ao asno e ao rocinante.
Aos guerreiros do amor deu o apogeu.
Aos moinhos de vento o vago instante
da reinvenção do sonho que morreu...
Revi meu Dom Quixote de La Mancha...
O escudeiro... O cavalo e a augusta lança
contra os dragões do inferno sob o céu...
Quando uma simples chuva de verão
derreteu – qual num passe de ilusão –
a minha Dulcinéia de papel...
A. Estebanez
16/09/2008

by Monet
O INFERNO DO CÉU
Em parte somos feitos mais de sonhos
em parte mais de morte e pesadelos...
Em parte entre conselhos de serpentes
que mentem como a face dos espelhos.
Flores não sangram sob seus espinhos.
Rosas nem sabem quando vão morrer...
Calam-se os ninhos quase indiferentes
se é para sempre quando amanhecer...
Amor é dom que não celebra a morte
são flautas gêmeas da canção da vida
que suaviza como o êxtase das almas
acalma o coração que ainda agoniza...
Não há inferno onde um grão de amor
viceja em forma de uma flor qualquer...
Ah, luz do arco-íris dos portais do céu!
Oh, véu da flor de quando o amor vier!
Inferno é a dor que queima sem amor.
Amor é fogo que arde sem queimar...
Amor que amarga e dói e permanece
chama que a alma aquece sem tocar.
Malgrado tudo existe essa esperança
de que o sonho de luto dos enfermos
seja apenas lembrança desse inferno
que jaz eterno dentro de nós mesmos.
A.Estebanez
15/09/2008

foto de vi.viany
SONETO DE IMPROVISO
Vem desse amor eterno de você
uma canção tangida pelo vento
uma flauta no som do pensamento
que ressoa na alma e não se vê...
Um sopro mágico e um floral de ipê
num desfolhar de beijos ao relento...
Eterno como o amor à flor do tempo
que vem sem precisar dizer porque...
Uma canção de ser tão docemente
percebida... Tão leve se pressente
que a gente nem precisa perceber...
Pois vem do amor plural de sua vida
o arrebol de uma história resumida
na história de uma flor no alvorecer...
Afonso Estebanez
Assinar:
Postagens (Atom)

