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15/11/2012

UM SAXOFONE NA NOITE



(Ao músico-missionário Urbano Medeiros)

Quando sopras  o teu saxe
na fria noite estrelada
ou sob a luz do luar,
os querubins e as fadas
param para te escutar...

E, lá, da amplidão celeste
a lua extasiada
brilha mais  - já que lhe deste
tua música abençoada.

Ao tocares saxofone,
tua alma, viva luz,
se desprende da matéria:
- já não és Urbano...és Jesus!...

E os pobres desta terra
ouvindo o sopro divinal,
esquecem a miséria, a guerra,
a fome, a dor, todo mal.

Bendito sejas, ano após ano,
abençoado do Senhor,
bendito sejas meu irmão Urbano,
fonte perene do Eterno Amor.


Zoraida H. Guimarães
In Na  Passarela do Tempo


VENTO E PERFUME




O vento parece ser
o suspiro dos mortos
que ainda vagam pela terra.

Quando forte vem do Sul,
dobra flores, varre o chão
e carrega as nuvens
pelo céu azul.

Quando ele é brisa
e não violento,
é suspiro dos anjos
em movimento.

Quando não é brisa
mas só aragem,
não é mais vento
mas sim viagem do pensamento
para outras paragens
do firmamento.

Zoraida H. Guimarães
In Na passarela do Tempo
tela  Andrew Wyeth
 do blog http://fragmentosdanoitecomflores.blogspot.com.br

22/05/2011

BAILANDO NO VENTO E NO COSMO




























Eu sou essa música
que ouves em surdina
nas máquinas do tempo.
Eu sou esse perfume
finado, mas vivo
que o vento trouxe
para reavivar a tua memória...

Sou a beleza sonhada
da nossa história
que não foi vivenciada
pelos nossos sentidos.
Eu sou essa alma sozinha
que baila no vento
à espera de abraços...

Sou música em surdina
sou perfume e beleza no espaço,
sou o teu sonho mais lindo de outrora
que agora te chama
em forma de rima...
Vem comigo, o sonho recordar
e se a música te anima
o vento te ensina:
- aprende a amar!

Zoraida H.Guimarães
In Na passarela do tempo
tela de Adolphe William Bouguereau

VISITAS























Bom-dia Tristeza!
Posso entrar?
Hoje vim com a Saudade
para te visitar...

Já que a Alegria viajou
depois que o Amor morreu,
viemos te visitar
querida amiga...

Visitar-me diz Tristeza,
não me diga...ora veja...
Enganaram-se com certeza,
Pois também estou de partida.
Vou morar com a Esperança
que ainda é minha amiga.

Zoraida H.Guimarães
In Na Passarela do Tempo
tela de Adolphe William Bouguereau

22/01/2011

ARCANJOS
























Prismas divinos,
diáfanos,
de indizível formosura
refletindo a luz do sol...

Gotas de orvalho
na madrugada do Cosmo
cintilando,
trêmulas de felicidade
porque plenas de amor...

Revestidos de Beleza,
cheios de Sabedoria,
sois sopros
da Onipotência criadora,
raios de luz da realeza
desprendidos pela fonte geradora
para iluminar
a humana natureza.

Zoraida H. Guimarães
In Na Passarela do Tempo
foto de Sir Edward Burne-Jones


O PINGAR DAS HORAS




O dia escorre horas,
minutos, segundos,
instantes-gotas de vida
que vão caindo no tempo
onde tudo é registrado...

Soma das gotas que escorrem
unidas
à minha, à tua e a outras vidas,
forma o rio que corre
para a eternidade...

Em busca da felicidade
que se esconde, não sei onde,
o mar humano se agita
ora calmo e cantante
ora impetuoso...

Nada se acaba... nada morre
e a todo instante a nossa vida
escorre, gota a gota
nessa sede infinita
que é o grande (a)mar...

(A)mar humano
onde o rio da vida vai desaguar
depois de ter banhado e fecundado
os campos do nosso sonhar.

Zoraide H. Guimarães
In Na Passarela do Tempo
foto de summonedbyfells

PRECE AO VENTO


















Vento que vens chegando
de longe, de muito além,
que vieste alisando
os campos e os mares também,
pára um pouco, ouve o meu canto
e leva-o de volta
com as lágrimas do pranto
destes olhos sem revolta,
que olham com indiferença
os homens e a vida quadrada
dos que perderam a crença
entre as pedras da jornada.

Leva meu cantar dolente
nas tuas invisíveis asas
e espalha-o docemente
sobre esse mundo de casas
que não possuem canção.
Eu sou a harpa divina
numa alegre saudação
de mil vozes cristalinas.

Vento que moves águas,
que o fogo avivas ou apagas,
leva meu canto de mágoas
para pertinho do Sol
ou para fora da Terra.
Talvez num outro arrebol
além desta atmosfera,
com esta canção em arranjo
eu encontre aquele Arcanjo
que foi Homem nesta Terra.

Zoraida H.Guimarães
In Na Passarela do Tempo
Foto de  Wolfgang Binder

23/03/2010




















É PRECISO AMAR

Sim...É preciso amar algo nesta vida
com a convicção e o ardor de um crente,
um amor todo feito de ternuras
sem sombras profanas e irreverentes...

Amar o sol, as flores, as estrelas,
o mar, a imensidão e a humanidade,
encher tudo de paz e de bondade
e as almas, uma a uma acendê-las,
para que o mundo tenha claridade.

Amar o próprio chão, a natureza,
e todo o fulgor da beleza sempiterna;
levar o coração como tocha acesa
e encher tudo de luz e cores
como de flores enche a terra a primavera.

Amar!...Amar e se extinguir no amor
como um símbolo Daquele que no calvário
fez uma canção de sua dor
e da cruz do amor fez um sacrário!...

Sim!... É preciso amar constantemente;
o coração que ama assim não tem idade:
ele vai de leve, bem suavemente
atingindo a meta - a sua divindade!...

Zoraida H. Guimarães
In Semeadura
foto by Jem G.

26/11/2009



















VELHICE

Chega o vento
e leva tudo;
tudo vai tristonho e mudo
como a água vai pro mar...

Passa o vento
passa o tempo
e as lembranças do passado
vão ficando
vão mofando
no seu armário fechado...

Leva, vento
leva tudo, sem lamento:
-flores secas, cartas relidas
livros e fotografias
cartões e outros achados,
velhos sonhos desta vida
que já estão amarelados.

Chega o vento e leva tudo
tudo que já não pode ficar...
vai tudo tristonho e mudo
como a água vai pro mar!

Zoraida H. Guimarães
In Na Passarela do Tempo
Foto by mindfulness