26/09/2008


by Magritte

À MARGEM

Uma fina membrana,
de tão fina, invisível,
às margens de mim
me separa do mundo.

Na margem de dentro
repousa a setença
da vida, imersa
num pulso profundo.

Na margem de fora
se agita o insondável
destino. às mãos
dos homens atado.

Mergulho no impulso
vidente, à procura
da força que ama,
o silêncio que sonha.

Depois me jogo
às órbitas igneas,
Quixote a buscar
justiça e prazer.

De lance em lance,
porém, há a membrana
a deter-me, elástica,
tecendo a metáfora

alheia a razão.

Alcides Buss
In Cadernos da Noite

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