Viajar por dentro de Minas é correr
um trem memória sem disciplina,
ir-se desdobrando em verdes, tom-após-tom,
(monte-oliva, limão que descasca, capins),
pontuados, ora cá,
ora ali, de roxos-quaresmeira,
amarelos-ipê-acácia, tons-sapucaia...
e mais verde, verde-neblina-araucária,
sombra de instinto, mata fechada
verde-chuva –quase- exaustão.
Às vezes escapam aldeias, finas garças,
uma embaúba em prata, um ungir de sinos,
e vacas em ruminação.
E o trem avança, em sobe-e-desce estonteante,
em quase náusea encantada.
E quando então com saudade Minas para trás
se deixa
é o azul-distância, não o do céu, o que se vê,
é a outra serra, e, para além dela,
eu mineiro e o mar.
Mas aí já são outros tantos,
outros olhos
com que Minas precisa se mirar.
Fernando Campanella

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