
Olhos Negros - Magritte
REFLEXOS
Desde menina algo me move na direção de um ponto mais à frente, na vida. Um lugar aonde chegar, uma tarefa a cumprir. Nada muito claro e, no entanto, tão certo e real quanto os meus pés e minhas mãos quando eu olho fixamente meus dedos. E tão distante de mim quanto meu próprio rosto que eu nunca vejo sem o auxílio de um espelho. E como é falsa nossa imagem ao espelho! Compomos imediatamente a face e sua expressão diante de tal objeto.
Talvez por isto meus pés e minhas mãos tenham conquistado minha confiança dede cedo. Passei a acreditar que, o que fosse confiado às minhas mãos elas saberiam construir. E que meus pés pisariam firmes e leves sobre o frágil tecido da vida deixando que minha presença fluísse por entre as árvores, os rios e as pessoas.
Mas, confesso, o perigo dos espelhos ainda me atrai e busca meus olhos durante a caminhada.
Helen Drumond
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