
Foto de Mark Coggins
ANGELICAMENTE
Que chatos são os anjos!
Candidamente apoiados em liras douradas,
esvoaçando brancos,
sem dizer nada.
Têm caracóis na testa
e são rosados,
pobres assexuados sobre um fundo azul clarinho.
Caçam as nuvens para levar
por roteiro algum
a nenhum lugar:
coisa de anjinho.
Quem sabe se, de repente,
a lira escorregar
ou sua asa afrouxar um bocadinho,
ele vá resvalar nas pontas de um tridente.
Lá embaixo a temperatura é diferente
e refogada em condimentos especiais.
Certamente o anjinho há de gostar e querer mais.
Se decidir se filiar,
podemos então participar da mesma festa.
Abram-se os salões,
agitem-se os violões, o banjo, o piano.
Sirva-se o vinho da safra mais seleta.
Vão finalmente sentar-se à mesma mesa
a pureza do anjo e a voz do poeta.
Flora Figueiredo
In Amor a céu aberto
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