
Foto de fabianophoto
OLHOS NOTURNOS
A luz do cigarro no escuro não mostra o caminho
Mas denuncia o viajante solitário na noite.
A luz caminha na escuridão, janelas a espreita.
Acomodar o chapéu não aquece, mas dá ilusão de aconchego
É tudo ilusão...a luz do fumo, o pó da estrada.
É tudo ilusão de chegar.
Caminhar é a realidade. Ir em frente.
Janelas a espreita. Aonde irá o homem da estrada?
Seguir varando a solidão da noite, seu destino.
Sem um cão que o confortasse.
Sem estrelas, sem lua, sem amanhecer jamais.
Janelas a espreita. Não se vê mais a luz.
Olhos no escuro advinham as costas do caminhante.
Ele se foi, passos espremendo a terra batida do caminho.
Seguir. Ir em frente. Varar o vazio do negrume.
Janelas a espreita. Testemunha noturna do ir.
Ou do regresso.
Helen Drumond
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