21/01/2009

GALERÓN



Quando a terra continue minhas veias
rumo à rosa vermelha e ao turpial,
ao rio , à lua e ao jacarandá.
Quando já só o Llano me recorde
com uma palma:

 
Quando uma corsa me adivinhe
no tremor do vento entre a erva,
quando, para chamar-me, de repente,
voe do peito aberto do Ariari
um gavião:

 
Quando já o negro potro, trêmulo,
não me espere na porta de minha casa
onde minha harpa e minha lança estejam suspensas
e na alta noite azul cante minha estrela
de capitão:

Quero que bailes, bailes sobre o pó
que há de contar minha história ardente,
entre a luz e o vento que me ouviram,
sobre a terra que nos viu, que bailes
pernas nuas, cabelo delirante,
um galerón.

Eduardo Carranza
In Antologia Poética
tela Andrew Atroshenko

Nenhum comentário: