
Tangente à solidão do quarto,
insistes harmoniosa e propagas
teu corpo de animal noturno e belo.
Sol e água, te derramas na cama
e és anca, braços, pernas, a dura
inquietação da noite interrompida.
É preciso invadir a unidade
perfeita de teu ventre.é preciso
respirar teus cabelos repousados.
Eu sei que é preciso anular
as dimensões do tempo em tudo
e em tudo quanto existe em nós
de eternidade ou de humano
sorrir às seduções da morte.
Em breve te incorporar ao sonho
donde vieste e te entregas
ao silêncio da pura exatidão.
Os cavalos sublime relincharão
nesse momento denso e tenso
de nossas fundas limitações.
Penetrarão a paz rigorosa
que ocultamos felizes na ternura
mais pródiga que a vida considera
no múltiplo existir de uma fruta madura,
uma rosa morrendo ou sombra
flutuante no verde que se perde
na mansidão da tarde.
Lisboa,1965
Gilberto M.Teles
In Sintaxe Invisível
foto de Empordako Aharia
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