23/02/2009


Foto de eduhhz

POEMA

Ninguém sabe em que dia concedeu seu tormento.
Velhos suspiros, velhos muros, e na cidade colonial
[de placidez doentia
O cemitério na colina, a igrejinha plantada entre um renque
[de árvores
Desesperadas.
Por onde vou, ai de mim, cuido sempre conduzir um silêncio
[de louco,
Ou a dor que se faz nostalgia cinzenta,
Chuva em tarde de outubro,
Madrugada a sorrir sobre velas acesas.
Não me encontro. E só vejo, entre os mundos banais que
[entediam a retina,
Essa angústia de quem não se sente nas coisas
Mas se vê isolado e distante, num mundo
Muito longe da terra,
Muito longe do céu.

Alphonsus de Guimaraens Filho
In Nostalgia dos Anjos

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