
Foto de Lui G
TUDO EM NÓS É MORTE
O pior é que existe o mesmo e inflexível
Desânimo, pesando. Amamos ou sorrimos,
Vamos, nas mãos da morte, aos pousos e aos pomares,
Desejando a paz antes da eternidade.
Mas os momentos de prazer são efêmeros e lúcidos
E a consciência se perde em paisagens ásperas.
Por que sentir na paz a presença da morte,
No riso natural a agonia dos gritos?
Vamos, levados por nós mesmos, aos acasos noturnos.
Céus, ventos, céus...E as estrelas chamando.
Que plenitude em nós quando o céu estrelado
E em torno ao nosso espanto existe a sombra e o escuro!
Quando a mulher que amamos oferece em seu corpo
A pulsação de reinos proibidos,
Ouvimos o oscilar dos pêndulos da morte
Como soluços matinais sobre águas de um rio.
Como exprimir a nossa dor e a nossa angústia quando
Os círculos se fecham e nos vemos, apesar do amor ou da ternura
Atirados a um mar de chamas hesitantes?
Como nos procurar além desses limites?
Ah! que Deus nos feriu de morte e a nossa carne
É um soluço ante a paz de estrelas insensíveis
E tudo em derredor se torna indiferente
Ao suplício da sombra em sombras mergulhada!
Ah! que tudo que em nós se passa é tão somente
Um fremito de asa e o mundo continua
Esquecendo o nosso sonho humilde de mais alto,
Nossa dor de buscar pureza e menos morte!
Tudo em nós, afinal, é morte. E essa alegria
Que em nós se faz envolve a certeza da volta...
Voltaremos um dia... Então, se completará em luz a sede aflita
De coisas menos gastas, esta paixão que é mais uma ardência de morte
E nos transforma em luz, despenhados em chama,
Sobre tudo o que traz um sentido secreto
E contém, para o ser, torturantes promessas!
Alphonsus de Guimaraens Filho
In Poesias
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