02/12/2009


by Richard S. Johnson/Lunaroza Galeria



É melhor silenciar...Esquecer o passado,
Esperar o porvir e viver o presente,
Foi sempre este o dever de um coração magoado
Que não sabe o que quer e não diz o que sente!

Pela seara sem fim das carícias ditosas,
Nosso idílio foi bom como as águas que correm...
Cresceu! Viçou! Floriu e viveu entre rosas
Para morrer depois como os pássaros morrem.

Sob a abóbada azul do sonho que eu sonhava,
Foste a luz da manhã dos meus límpidos dias!...
Afastaste de mim o terror que eu guardava
Da indolência brutal das longas travessias!...

Palmilhaste comigo a estrada florescente,
Salpicada de arminho, aljofrada de beijos...
E comigo plantaste a radiosa semente
Que faz brotar o amor e florescer desejos!...

Vivemos muito tempo à sombra apetecida
Das flores do vergel do nosso amor profundo!
Eu - pensando no mundo, esquecido da vida!
Tu - pensando na vida, esquecida do mundo!...

Hoje o triste tufão das negras derrocadas
Nos tentou separar e o fez perversamente...
-Malditas sejam, pois, as ilusões passadas
Que me fazem lembrar de um ser que vive ausente!...

Na enseada desta vida eu de tudo me escuso,
Conduzindo no peito um coração sem dono...
Um nefando batel pobre, escabroso e rudo,
Que o tempo espátifou nas rochas do abandono!

É melhor olvidar!... A solidão discreta
Incutiu no meu todo a paciência de Job!
Quero agora cumprir o meu fado de poeta:
Viver só! Sempre só! Eternamente só!

Jansen Filho
In Poesias Escolhidas

2 comentários:

Sonia Schmorantz disse...

Linda escolha fizeste, o poema é muito bom!
beijos

Fernando Campanella disse...

Um poema clássico, pela forma, pelas palavras, pelo conteúdo. E os clássicos expressam os sentimento mais profundos, e eternos, dos homens, da vida.
Grande abraço, querida amiga.