24/12/2009


Glorious Summer by Alan Maley

DIALÉTICO

É verão.
Tantas sedes me angustiam!

Tenho o mar
tanto sal em meus sentidos
palcos de pleno azul
muitos rios-corredeiras
fluindo em sentido inverso.

Tenho o sol
o assombro das sombras
a eclipsar meus dias
obscurecendo a luz
que liberta brilhos dévidos.

Tenho o dia
atrelado à claridade
que me ofusca e afere
no limiar do horizonte
a linha do precipício.

É verão.
Muitos clarões me deslumbram!

Terei a noite
incontrolável abismo
e raríssimas estrelas que no céu riscam poemas
na luz das constelações.

Terei a lua
lucivelo celeste
e as suas mãos noturnas
para reacender minha noite
de extremidades sem luz.

Terei o sonho
seus remotos labirintos
estradas inexistentes
tênues linhas entrecruzadas
o oculto revelado.

É verão.
Rasas águas me saciam...

Ilha de São Francisco de Sul, fevereiro,91

Maria Lucia Nascimento Capozzi
In Álbum de Retratos

4 comentários:

ONG ALERTA disse...

Tem a vida para ser vivida com sabedoria e muita paz no coração, Lisette Feijo.

Ana Paula Bousquet disse...

Dione,

adorei receber sua visita no meu espaço. Devo te confessar que venho sempre beber desta fonte maravilhosa que nos oferece por aqui. Com seu toque personalíssimo, encontramos o melhor da poesia e imagens delicadas. Você.
2010 repleto de ótimas vibrações e realizações!
Um beijo,
Ana

Sonia Schmorantz disse...

Receita de ano novo 
de Carlos Drumond de Andrade
 

Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 
 

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumidas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 
 

Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.

Que em 2010 Deus o abençôe com saúde, paz, muito amor e um bom trabalho!
abraço

iracema forte caingang disse...

Obrigada Dione por mais uma linda poesia.
Por esse lindo blog,tudo de bom querida.
Feliz 2010 BEIJÃO