15/02/2010


1987 by John Cooke

O RIBEIRÃO DA MINHA INFÂNCIA

Não o reencontro.
Nem o reencontrarei
o ribeirão da minha infância.
Sua morte foi decreto público
de morte inteira.
De evitar qualquer vestígio.
Não teve prestígio.
Não tinha bandeira.

Nunca o fotografei.
Mas guardei-o em mim.
Nunca foi cartão-postal.
Mas é passaporte de saudade.

O ribeirão dorme
sob entulho,
num embrulho de crueldade.
Dorme sob a assinaturado
do decreto.
No esquecimento geral dorme
e dorme na minha inútil lembrança.

Nada o fará ressuscitar.
Riem de minhas perguntas,
caçoam do meu poema,
me apontam na rua,
me nomeiam entre os animais irracionais.

Não à minha frente
em seus disfarces de lobo e raposa.
Não em meus olhos
com seus olhos de enguia.

Mas em festas de família,sim.
E sobretudo aos sussuros,sim.
Ali dizem o que pensam
e se contorcem de rir até as lágrimas.

Lindolf Bell
In O Código das Águas

Um comentário:

Silvana Nunes .'. disse...

Boa tarde.
Triste de quem não tem uma boa infância para se lembrar.
Como foi de carnaval? Passeou ou pulou ?
Como se não bastasse estar bloqueada para adicionar ( quando tento aparece uma mensagem dizendo que o priprietário do blog proibiu a minha entrada no site), agora sumiu aquele link onde as pessoas pegavam para colocar na página. Se você a vir por estes blogs, me avisa para que possa recuperar.cada hora que abro a página tem uma novidade.
Pior de tudo é que para achar vocês é um horror, porque todos os links sumiram da minha página. Tenho que esperar que venham até aqui para chegar até vocês. daqui a pouco não vou poder nem responder a vocês, é só o que está faltando.
Amanhã, a série sobre orixás continua. Desculpe o desabafo, mas com o orkut foi a mesma coisa. Você não tem nada a ver com isso, estamos no mesmo barco.
Beijo