10/07/2010

O VENTO E EU


















O vento morria de tédio
Porque apenas gostava de cantar
Mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,
Cada vez mais vazia...
Tentei então compor-lhe uma canção
Tão comprida como a minha vida
E com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,
Como aquela em que menino fui roubado pelos ciganos
E fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo...
Mas o vento , por isso
Me julga agora como ele...
E me dedica um amor solidário, profundo!

Mario Quintana
In Velório sem Defunto
foto da Galeria de Todd Klassy no Flickr

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