24/05/2011

POEMA DA IDADE PERDIDA



















E pensar que já tive dezoito anos,
que já vivi de sonhos,
que já teci ilusões...
E pensar que já suspirei de amores,
que já sorri despreocupada e feliz
que vibrei com o primeiro beijo...
E pensar que os meus cabelos
já foram fartos e negros;
que no meu rosto havia reflexos de luz,
e no meu corpo, juventude e pujança...
E pensar que a minha boca
era fresca e sadia,
e a minha voz cristalina e pura...
E pensar que possí um coração
que se alvoroça à-toa
e batia descompassado só em avistar um vulto querido...
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Ah, pensar em tudo isto,
e descobrir agora estes cabelos brancos,
estas rugas morando no meu rosto,
este cansaço me alquebrando o corpo,
esta voz que já nem reconheço mais,
e este coração cansado e sofrido!
Ah, pensar em tudo isto
e não poder voltar atrás!...

Anilda Leão
In Chão de Pedra
tela de Frederick Childe Hassam/Blossoms  c.1880

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