30/03/2012

RESPIRAR



Deslocando o ar do meu próprio corpo
Levanto a criança que fui,
Desço até o fundo do mar,
Descubro peixes vermelhos.
Subi ao céu de avião,
Nas varandas do oceano
Inventei o meu amor.

Trazendo o ar para mim
Aspirei todo o prazer,
Em faixas de sons e formas
Dei toda a vida ao meu ser.

Somente com um sopro
Posso criar a desgraça,
Trazer para os meus pulmões
A semente do veneno,
E quando a morte chegar

Encontrará um homem
Que respira a poesia.

Murilo Mendes
In Poesia Completa & Prosa
tela Mahmoud Farhschian

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