15/09/2008


by Jean-Baptiste Camille Corot

TÃO VERDADEIRA quanto a imaginada
- a perfeita mulher que não existe -
é a tua ausência, tua ausência triste
muito mais minha e despreocupada.

Hoje tenho-te aqui, porque dormiste
no bolso do silêncio mais suado,
sob a fronha mordida o sal cansado
que à memória das noites subsiste.

Posso te amar em todas as mulheres:
teu escuro calor, o pêso certo
de tua nuca em meus dedos, que me deres

quando longe de mim e insatisfeita,
toda feita de ausência e assim mais perto,
inventando comigo a solidão
perfeita.

Fernando Pessoa Ferreira

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