15/09/2008


Claude Monet

Maré de estio, sumo das rosas, campo
de riso sobre os tímidos quintais
onde amanhece a fábula da infância
inundada de frutas e pardais.

A praça era fecunda e descuidada,
no seu bojo de sol floriam flautas.
Assim deviam ser as namoradas
quando o domingo as devolvia intatas.

O céu cansado, as ruas transparentes,
e vento e sua fonte de cristal.
Docemente supérfluo, flui o tempo

mais leve em suas roupas matinais
e, nos teus flancos, o suor nascente
inaugurava as emoções rurais.

Fernando Pessoa Ferreira

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