
by Stephen Darbishire
A DOR DO VIAJANTE
Eu vou pelo caminho calado e poeirento
com o adoidado riso de uma falsa alegria.
A alma levo-a angustiada e sinto o tom cinzento
da vagarosa marcha desta melancolia.
Sempre de em meio à bruma dos tempos passados
renascen as lembranças dos meus dias mais belos,
e por entre a tristeza de um andar desolado,
levo a alegre lembrança de uns ruivos cabelos,
de uma boca tão rubra como uma chaga aberta,
de uns olhos sonolentos claríssimos e verdes.
Mas essas são lembranças de uma estrada deserta!
Agora vou andando com a alma toda plena
de ilusões desgarradas e a lembrança se perde
em meio do cansaço, do fastio e da pena...
Pablo Neruda
In O Rio Invisível