21/07/2010

NASCEMOS CASULOS MORREMOS BORBOLETAS



"Sombra convertida em lúmen.Palavra-carvão que, do longo sono da terra,
Acorda de repente diamante.”
Fernando José Karl

Não estarei no comboio dos suicidas,
Dos desvalidos: os sem-esperança...
Minha causa se faz como uma busca
Incansável dos sonhos impossíveis.

Neles estão contidos todos os segredos
Eternamente escondidos, como desatinos.
E nem por isso me renderei ao acaso,
Não sendo refém do meu destino.

Estarei muito além do encontro súbito
Dos fenômenos, incompreensíveis,
Sendo que ocultam nossos pensamentos,
Deixando-os em lugares indefinidos.

Fomos, senão, apenas como lírios
ao relento... sendo meros sobreviventes
Postos inesperadamente aos ventos,
Sem nos perceber, à mercê da sorte.

Sendo o que fica realmente...
Apenas os polens a flutuar:
E viramos sementes, em busca
Do solo fértil novamente.

Luís A.Rosseto de Oliveira
In Solitude
tela Ana Luisa Kamiski

Um comentário:

Anônimo disse...

Lindo,
...mesmo se nem todos os solos são ferteis
e a sorte não nos acompanhar
esta definido nos nossos genes
que não devemos renunciar.

Uma verdadeira incitação à meditação sobre a vida que "é tão curta" como a da borboleta.
Obrigada
Naria