25/04/2011

O ESPELHO



















Quando jovem Narciso, orgulhoso e contente,
mirava-se a sorrir nas águas do Pireu;
desiludido, um dia, o moço incontente,
ao rio se atirou e nele pereceu.

Bem antes de morrer chorou amargamente,
e, comovido, Pan, seu pranto converteu
num único cristal polido e reluzente...
Eis que o espelho fiel na terra apareceu.

E da vaidade humana arduamente o futuro,
é ele quem prevê num vaticínio rude,
e na senilidade aflige os corações...

Oráculo fatal, execrando, perjuro!
Austero julgador no fim da juventude:
- a verdade reflete e mata as ilusões.

Francisco Giffoni Filho
In As Sete Cores do Íris
tela de John Williams Waterhouse