22/06/2011

NO ENTANTO



















NO ENTANTO é tão vasto céu
a rodar o tempo, no entanto.
Estender-se e deixar-se levar
por este azul e amargo vento.

Debulhado vento do mar,
a minha cara vai beijando.
Arrasta-me, vento do mar,
aonde ninguém está esperando!

Para a terra mais pobre e dura
leva-me vento, nas tuas asas,
assim como levas, às vezes,
sementes de ervas más e rasas.

Elas precisam rincões úmidos,
sulcos abertos, elas querem
crescer como todas as ervas:
eu só quero que tu me leves!

Lá estarei como aqui estou:
e para onde vá estarei posto
com o desejo de partir
e as mãos na frente do meu rosto...

Pablo Neruda -

tradução: José Eduardo Degrazia
http://bypabloneruda.multiply.com/journal/item/39
foto de chemation

Um comentário:

incertas certezas... disse...

Este Blog, para mim, é um deleite!
Como ao sol se esparrama um gato...
e em ervas finas se mergulha o azeite!
Amo muito a poesia e tudo que encontro aqui, de fato,
faz-me bem, provoca-me à jato
devolver-te toda a beleza que cultivas e ofereces em teu ato...
Publicando estes versos alheios
nestes meios, teu relato...
e assim, longe dos freios
meu coração suspira e respira
e sente o tato
quer escrever-te e dizer-te:
a ti sou grato!