06/08/2011

CAMPO DE EROS


Amor: esta palavra acende uma
lua no peito, e tudo mais se esfuma.

E testemunho: eis que Amor deixou
ferida cada coisa que tocou.

E tudo dele fala: a mesa, a cama
(como abrasa este hálito de chama!)

o bar, cadeiras, livros e paredes
vivem, revivem: de fomes e sedes

a corpo saciados. Tudo fala,
tudo conta.Só a boca é que cala.

Amor. Do extinto pássaro , o voo
prossegue, inexorável. Mas perdoo,

eu, essa lâmina que me escalavra,
resolve em mim, em sua funda lavra,

amor, restos de amor, gestos quebrados,
enganos, mais amor; olhos magoados,

e fúria, e canto, e riso, e dança, e dor.
E a Quimera. E amor, amor, amor

por toda parte trucidado e em flor.

Ruy Espinheira Filho
In Poesia Reunida

Um comentário:

Anônimo disse...

E amor, amor, amor.